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terça-feira, 13 de abril de 2010

a máquina de fazer espanhóis

valter hugo mãe presenteia-nos com mais uma obra, com um carácter muito humano e que nos permite reflectir acerca de várias componentes do ciclo de vida, e da interacção com o outro. "(...) é o que fez a liberdade, acrescentou. um dia estamos desconfiados de tudo, e no outro somos os mais pacíficos pais de família, tão felizes e iludidos. e podemos pensar qualquer atrocidade saindo à rua como se nada fosse, porque nada é. as ideias, meu amigo, são menores nos nossos dias. não importam. as liberdades também fazem isso, uma não importância do que se pensa, porque parece que já nem é preciso pensar. sabe, é como não termos sequer de pensar na liberdade. é um dado adquirido, como existir oxigénio e usarmos pulmões. não nos hão-de convencer que volte a censura, qualquer tipo de censura, isso seria uma desumanidade e agora somos europeus. qualquer iniquidade do nosso peculiar espírito há-de ser corrigida pela europa, para sempre. isso é que é uma conquista."

uma velhice vivida através da escrita.


o escritor, estará no dia 15 de abril (quinta-feira), às 21 horas, na livraria almedina estádio, em coimbra. a sua presença está integrada numa iniciativa denominada "comunidade de leitores", na qual será proporcionada uma conversa dirigida pelo professor paulo alexandre pereira.

sábado, 3 de abril de 2010

Resumo - a poesia em 2009

Numa parceria entre a Editora Assírio & Alvim e a FNAC, foi lançada uma antologia de poemas escolhidos por José Alberto Oliveira, José Tolentino Mendonça, Luís Miguel Queirós e Manuel de Freitas.
Não direi que são os melhores, como é publicitado, uma vez que essa avaliação dependerá de cada um de nós. De qualquer modo, uma boa forma de os mais apressados e despassarados se manterem minimamente actualizados no que respeita à poesia nacional (falo de mim, obviamente).
São apenas 4€ e como diz na contra-capa "A totalidade das receitas deste livro reverte para a AMI/Info Exclusão".

"Diário", de Ana Salomé
A partir de agora, todo o poema que fale de amor, fora.
Todo o poema que não revolucione, fora.
Todo o poema que não ensine, fora.
Todo o poema que não salve vidas, fora.
Todo o poema que não se sobreviva, fora.
Vou deixar um anúncio no jornal:
Procura-se poeta. Trespasso-me.

terça-feira, 9 de março de 2010

"Que cavalos são queles que fazem sombra no mar?", António Lobo Antunes

No momento em que nascemos, à partida somos já herdeiros de um nome, de uma família, com a qual aprendemos, mas da qual nos diferenciamos. Cada elemento de uma família tem as suas características, tanto para o bem como para o mal, que se reflectem na própria relação familiar. Porém, há pelo menos duas coisas que são comuns, a constante necessidade de ternura e afectos; e a morte, mormente a morte programada.
"(...) embora nunca tenha visto ninguém morrer nem saiba o que é morrer, sei que diante dos caixões se fala em voz baixa e nos movemos devagar, mais educados, mais compostos, cumprimentando-nos num sorriso triste e depois ficamos ali de mãos dadas connosco mesmos, à frente ou atrás das costas"

Esta é a mais recente obra do conceituado escritor, que pretende alcançar sempre mais (pelo menos no título alcançou mais - não podia fugir a esta observação!) e melhor. Uma experiência de leitura que pode ser muito intensa, e que é muito interessante na medida em que aborda o ser humano no seu pior, de uma forma que não nos leva a odiá-lo.

"(...)o que sobeja quando não existimos, em que pensarei eu, este livro é o teu testamento António Lobo Antunes, não embelezes, não inventes, o teu último livro, o que amarelece por aí quando não existires, como esta casa é triste às três horas da tarde, (...)"
Segundo consta, é mesmo ficção, pois este não será o último, uma vez que já está a ser preparado um novo livro, com ligação à Beira Alta.